Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação

Por: Thalita Oliveira

IBBD

O Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) foi criado em 1954 pela junção de esforços da Unesco com a Fundação Getúlio Vargas. Durante a década de 1950 a Unesco promoveu a instalação de centros nacionais de documentação em determinados países considerados subdesenvolvidos, isso ocasionou no governo brasileiro interesse pelo desenvolvimento da produção cientifica brasileira (LEMOS, 1986).

Antes da criação do IBBD existiam poucos serviços de informação especializados em ciência e tecnologia no país, esse serviço era feito por algumas poucas bibliotecas localizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo (LEMOS, 1986).

Sambaquy (1957) diz que cabe ao IBBD:

Incentivar a execução de trabalhos bibliográficos empreendidos pelas diferentes instituições especializadas, e, quando solicitado, participar diretamente desses trabalhos, auxiliando e colaborando ativamente, sempre evitando qualquer duplicação de serviço. Cumpre-lhe, ainda, inventariar as disponibilidades de nossos acervos bibliográficos e envidar os melhores esforços no sentido de uni-los através da mais perfeita cooperação, a fim de que cada estudioso venha a ter permanentemente a seu serviço o total das coleções bibliográficas existente no País.

Porém, dados os problemas existentes na organização da produção intelectual brasileira naquele momento, esses objetivos não foram completamente cumpridos, Lemos (1986) explica que o IBBD precisou centrar suas atividades “na questão do acesso aos documentos primários, do controle bibliográfico da produção científica nacional e do aperfeiçoamento de recursos humanos”, devido essa mudança no foco de atuação, o Instituto passou a se dedicar a elaboração de um catálogo coletivo nacional de publicações periódicas, à compilação e publicação de bibliografias especializadas da produção científica brasileira por áreas do conhecimento, ao fornecimento de cópias de artigos científicos obtidas em bibliotecas do País e do exterior (uma espécie de COMUT) e a realização de um curso regular de especialização, que levou a criação, em 1970, do curso de mestrado em Ciência da Informação (que por sinal foi o primeiro da América Latina) (LEMOS, 1986).Outro feito importante do Instituto foi mostrar ao País a importância da informação científica.

Dizer que o IBBD é responsável pelo fomento da Documentação no País é diminuir as criações feitas por ele, o Instituto é responsável pela conexão entre a Biblioteconomia e a Documentação que anos mais tarde ficou conhecida como Ciência da Informação. Odonne (2006) diz que:

Os bibliotecários do IBBD não só compreenderam a centralidade do documento e da informação para a sociedade, a cultura e a ciência contemporâneas: durante os primeiros dez anos de existência do órgão eles fabricaram esse fenômeno. Eles o colocaram em pauta e o definiram, com palavras e ações, modelando seus instrumentos, regulando seus padrões, organizando seus conceitos, distribuindo suas práticas e fazendo valer seus discursos.

Nem tudo eram flores no IBBD, embora houvessem muitos planos apenas alguns eram cumpridos, um dos negligenciados é a periodicidade das publicações, Campos e Caldeira (1988) dizem que isso ocorria por diversos motivos, entre eles “problemas de orçamento, de mudanças de direção e de interesse dos presidentes do Instituto, de pessoal qualificado”.

Nos anos 70 ocorrem mudanças nas atividades de ciência e tecnologia no país, isso leva a reorganização de alguns órgãos, entre eles o IBBD que se transforma em Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e se consolida como órgão coordenador das atividades de ciência e tecnologia no Brasil.

É engano pensar que o IBBD só vive hoje pelo Ibict, os vestígios deixados por ele também se encontram no ensino da Ciência da Informação no Brasil, como foi dito, ele foi responsável pelo primeiro curso de mestrado no Brasil em CI, porém, vejo que sua contribuição na formação básica dos bibliotecários é mais importante que isso. Gomes (1972 apud ODONNE, 2006, p. 50) destaca esse aspecto:

[…] O Curso de Bibliografia Especializada […], apesar do nome, incluía em seu currículo outros tópicos que não eram ministrados nas escolas de graduação, como a própria bibliografia especializada, normalização da documentação, mecanização de serviços técnicos, etc. Todas essas matérias foram incluídas posteriormente nos programas das escolas, com nomes diversos. […]

Oras, se não haviam profissionais capacitados para fazer o básico em uma biblioteca do que adiantaria cursos de mestrados? Tendo essa questão em mente o trabalho feito pelo IBBD ganha maior importância. Ao promover capacitação básica para os profissionais o Instituto torna possível a consolidação de uma profissão, embora a Biblioteconomia já existisse no Brasil a muitos anos considero que ela só passou a ser vista com a força que tem após a criação do IBBD.

Durante o processo de pesquisa para a composição desse texto percebi que não existem muitas fontes sobre o tema, me parece que apenas meia dúzia de pesquisadores se interessam sobre isso, mesmo que o façam de maneira completa, é certo permitir que a memória deste órgão tão importante para a Biblioteconomia brasileira seja extinta aos poucos? Eu acredito que não, desta crença nasceu esse breve relato sobre a história do IBBD.

As Referências deste e de dos outros textos do site se encontram na aba Referências do menu superior.

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