Lydia Sambaquy

Por: Thalita Oliveira

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Este texto poderia começar de diversas formas, mas permitirei que as palavras de Nanci Oddone (2004a) o iniciem:

Lydia de Queiroz Sambaquy é um ícone da Biblioteconomia brasileira. Mais que qualquer outra das grandes personalidades que hoje fazem parte da história da área no Brasil – Manoel Bastos Tigre, Rubens Borba de Moraes, Alice Príncipe Barbosa, Laura Garcia Moreno Russo, Bernadette Sinay Neves, Adelpha Silva Rodrigues Figueiredo, para citar somente aqueles cujos nomes vêm mais rapidamente à memória e sem mencionar os que ainda estão em atividade – Lydia encarnou o ideal que a grande maioria dos bibliotecários formados naquele período almejava alcançar. Seu prestígio e sua autoridade tornaram-se emblemáticos e ainda hoje são reverenciados. Como profissional ela alcançou os postos mais altos de sua especialidade: foi presidente do IBBD durante onze anos, foi vice-presidente eleita da Federação Internacional de Documentação entre 1959 e 1962 e logo em seguida destacada como membro honorário desta mesma instituição.

Ao pesquisar sobre prováveis temas a serem abordados na construção do conteúdo deste site me deparei com as palavras de Oddone e imediatamente soube que esse era um tópico a ser abordado. Na busca por fontes que me ajudassem a construir este texto as dificuldades começaram a surgir. Embora, nas palavras de Oddone (2004a), Lydia se trate de um ícone da Biblioteconomia brasileira são poucos os textos que falam sobre ela. Sim, existem muitos textos que abordam os feitos dela, mas não encontrei muitos estudos que procurem reunir os feitos dela ou que mostrem a mulher por trás do ícone. Foi com total espanto que constatei que ela não tem um perfil da Wikipédia e não tem um verbete no Dicionário Histórico-Bibliográfico Brasileiro mantido pelo CPDOC da FGV. Para alguns tais parâmetros podem ser considerados fúteis, mas para mim isso mostra o quão desvalorizada é a figura deste ícone. Por isso resolvi escrever esse texto. Seria pretensão demais da minha parte tentar tapar esse buraco, espero que este texto sirva de motor para a produção de mais texto, mais artigos, mais teses e num futuro, essa imagem que hoje é negligenciada não sofra mais isso.

Conforme Oddone (2013b) Lydia nasceu em 1913, filha de Espiridião de Queiroz Lima, descente da linhagem dos Queiroz, cuja origem remota o século 17 na antiga Fazenda Califórnia, no sertão de Quixadá. Tal linhagem tem como descentes os ilustres Eusébio de Queiroz Lima e Rachel de Queiroz, prim

Imagem obtida em: Nanci Oddone (2004a)
Imagem obtida em: Nanci Oddone (2004a)

a de primeiro grau de Lydia e primeira mulher a ingressar na Acadêmia Brasileira de Letras. O pai de Lydia foi um experiente veterinário que conseguiu provar, em laboratório, que os morcegos Desmodus rotundus transmitiam raiva a animais herbívoros. Tudo isso levou Lydia a crescer num ambiente propicio ao estudo. Talvez se tivesse sido criada em outras condições não tivesse se envolvido tanto com a Biblioteconomia. Se casou aos 16 anos com Julio Furquim Sambaquy (ex-Ministro da Educação e criador do MOBRAL) com quem teve 3 filhos.

São incontáveis os feitos realizados por Lydia, não gostaria de restringi-los a determinado período, por isso os feitos aqui narrados são de diversos anos e décadas.

Muniz (2010) relata que na década de 50 Lydia tinha ideias para o curso de Biblioteconomia, ela idealiza a criação de uma nova Biblioteca Central da UFRJ, nesta biblioteca seus primeiros sete andares seriam destinados a biblioteca e o último andar ao curso de Biblioteconomia, segundo ela porque Lydia “acreditava que a sinergia entre o curso e a Biblioteca Central seria benéfica para as duas partes”. Infelizmente, não foi possível a criação de um novo curso naquele momento.

Lydia e sua irmã Sylvia trabalharam na biblioteca do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), durante os anos em que estive lá Lydia presenciou e foi promotora de diversas mudanças, entre elas a criação de um curso preparatório para bibliotecários no DASP, inicialmente o curso contava com 3 matérias catalogação e classificação, administração e organização de bibliotecas, bibliografia e referência (ODDONE, 2013b). A criação desse curso inventou diversas criticas, ele chegou até a ser considerado um mero instrumento para aumento de salário dos servidores, porém seus criadores defendiam que se tratava de um instrumento no projeto de reorganização da carreira de bibliotecário no Brasil. Não cabe a este texto dar pormenores deste assunto, para mais informações consultar ODDONE, 2013b, p. 84-86, e as referências nele encontradas.

Nos anos 50 começam os preparativos para a criação do IBBD, Lydia e Janice Monte-Mór são patrocinadas pela UNESCO e pela FGV para viajar durante quase um ano fazendo estágios em importantes bibliotecas e centros de documentação. Elas visitaram os Estados Unidos da América e a Europa. Ao retornarem ao Brasil, Lydia tem ampliadas suas ideias de organização da estrutura de um órgão dedicado ao trabalho bibliográfico deveria ter para
impulsionar as atividades científicas e tecnológicas
nacionais.

Silva (1987) diz que o IBBD foi totalmente planejado por Lydia, inclusive rascunhos de documentos que mais tarde se tornaram oficiais. Durante 11 anos Lydia foi diretora do IBBD, nesses anos o Instituto foi responsável por inúmeras transformações no modo como a informação em ciência e tecnologia é vista no Brasil. Com a imposição do regime ditatorial pelos militares no Brasil Lydia entra em conflitos de poder com a nova administração do país e é retirada de seu cargo.

As contribuições feitas por Lydia a Biblioteconomia brasileira são perceptíveis até hoje. É importante que não deixemos morrer a memória deixada por ela.

As Referências deste e de dos outros textos do site se encontram na aba Referências do menu superior.

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